A Paixão e a Frustração

Saudações!

É muito bom ter você por aqui.

Olha, em primeiro lugar, quero convidar você a curtir a página do Eu Posso, Sim! no Facebook.
Você pode curtir aqui.

Em segundo lugar, quero adiantar para você que este texto é destrutivo, aterrorizante, amedrontador, pois nele vou esquartejar a paixão. Isso mesmo: abrirei cada pedaço deste sentimento e o desmistificarei.

É isto que você quer? Se não quer, saia imediatamente daqui, pois esse texto não é para você, confie em mim.

Mesmo?! Permaneceu? Então, vamos lá!

Para você, então, explico uma aparente contradição: este vlog trata da Psicologia do Sucesso, então por que destruir a paixão, um sentimento tão bonito?

Primeira explicação: não confunda beleza com intensidade arrebatadora.

A paixão é um sentimento infantil!

Segunda explicação: no final das contas, o que mais vejo é pessoas sofrendo com paixões e desejando um “amor tranquilo, com sabor de fruta mordida…”, entende?

Terceira explicação: Vamos entrar no mito de Narciso para entender.

Imagino que você já conhece, mas vou relembrar este belíssimo mito a título de ilustração:

O Mito de Narciso

O Mito de Narciso

Quando Narciso nasceu, sua mãe consultou um adivinho chamado Tirésias com a seguinte pergunta:
– Este meu filho de extraordinária beleza viverá até o fim de uma longa velhice?
Apesar da estranha pergunta, Tirésias respondeu:
– Sim, se ele não se conhecer.

Narciso cresceu e, a cada dia, sua formusura parecia infinita. Rejeitava todas as moças e ninfas que desejavam seu amor.

Um dia, Narciso caçava na floresta quando uma ninfa, chamada Eco, o viu. Eco havia recebido uma punição de Hera e, por isso, só tinha a capacidade usar a voz se fosse para repetir os sons das palavras dos outros. A ninfa, ao vê-lo, logo se encantou de amores e pôs-se a segui-lo, já que não podia falar. A ansiedade a fez se lançar num abraço com Narciso. Naturalmente, Narciso a empurrou, rejeitando-a. Eco se envergonhou, desprezada.

Fugiu e se escondeu entre folhas nos bosques. Foi tamanho o sofrimento, que a ninfa foi se desfazendo, sendo consumida por aquele amor rejeitado, até que chegou a pele e osso. Neste estágio, o corpo de Eco se dissipou pelos ares, restando-lhe apenas a voz.

Um dia, após caçada no bosque, Narciso se sentiu cansado e com sede, avistou um rio de águas límpidas. Baixou-se para beber água
e viu o reflexo de sua imagem nas águas do rio. Esta visão o fez estagnar-se diante daquela imagem tão bela. Nada conseguia mover
Narciso dali; nem sede, fome, frio ou calor. Tentou, por diversas vezes, alcançar aquele ser encantador lançando seus braços naquelas águas.

Tentava se comunicar:
– Oi!
– Oi! – respondia Eco, contemplando-o.
– Vem…
– Vem…

Era inútil tudo que ele fazia ou dizia. Então, num ato de desespero, com o desejo de encontrar aquele ser tão formoso, Narciso se lança no fundo daquelas águas para não mais voltar. E diz-se que, dali em diante, uma flor nasce, constantemente, da beira do rio.

Flor de Narciso

Flor de Narciso

Foi do mito de Narciso que nasceu o conceito de narcisismo e a inspiração de um trecho da música Sampa, de Caetano Veloso. ; )

Já “que Narciso acha feio o que não é espelho”, então podemos deduzir que Narciso acha bonito o que é espelho.

Mas o que Narciso tem a ver com paixão?

Ora, Narciso se apaixonou por quem?
Por ele mesmo, sua imagem própria refletida na água daquele rio.

Notou o quanto ele sofreu por não ter sua paixão correspondida?

Agora, a pergunta é para você: você já observou que toda paixão não é correspondida? Que toda paixão deixa buracos enormes de sofrimento?
Isto ocorre pelo simples fato de Narciso se apaixonar por ele mesmo você se apaixonar pela sua própria imagem.
Quando você encontra uma pessoa dita apaixonante, desculpe, é por que você está vendo a si mesmo/a naquela pessoa.
Você, durante toda a vida, tem se apaixonado por você mesmo/a.

Agora, você pode perguntar: mas se eu me apaixono por mim mesmo, por que toda paixão – ou a maioria delas – me traz sofrimento?
A resposta é que você se apaixona, especificamente por uma parte de você. Alguma parte que é ideal para você, que você almeja alcançar, que provoca em você um sentimento de profunda admiração. Chamamos a isto de projeção. Projeto no outro uma característica que é minha.
Se esta parte é “ideal”, significa que está no campo das ideias, é perfeita (e nós já discutimos sobre o efeito da perfeição AQUI no vlog).

Logo, toda paixão tende à ruptura. Tende ao fim. Isto, pelo simples motivo de que você muda, se transforma, seus ideais se transformam com o tempo. Em outras palavras, se você se apaixona por uma parte ideal que é de você mesmo/a e você muda constantemente, então toda paixão vai ser frustrada constantemente, pois ninguém será capaz de suprir essa necessidade.

“Então, não poderei mais me apaixonar?” – você pode perguntar.

Pode, sim. A diferença é que se você for se apaixonar, que seja por vontade consciente, não por sentimentos obscuros que te levam a pensar as maiores atrocidades. Que seja por escolha, por amor ao sentimento que se tem pelo outro.

Menos narcisismo e mais amor para você!

E já que esta postagem está super musical, curta, agora, Sampa, de Caetano Veloso com participação de Maria Gadú, ao vivo.

Se cuida, tá?

João Lins.

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